Pensar o Balanço, Correios!

Escrito por Claudionei Santa Lucia em 9 de Abril de 2018

ECONOMIA

Pensar o Balanço, Correios!

A proposta do artigo visa alertar a importância da análise de uma demonstração contábil, bem como compreender o motivo de encontrar uma situação explícita do Balanço, inusitada, e nada fazer. Por derradeiro procurar saber, e o balanço 2016 correios?

21/07/2017 10:44

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           Imagine que você seja o dono único, titular, sócio cotista ou acionista de uma empresa, que explora um seguimento de negócios, bem como apresentou nos seus últimos 4 (quatros) anos as seguintes informações, segundo as demonstrações econômico-financeiras (vulgo Balanço):

Em reais  (R$ )

Ano Base

Faturamento

Patrimônio Líquido

Lucro Líquido

 

2012

14.532.417.000,00

4.136.816.000,00

1.044.061.000,00

2013

14.793.294.000,00

(386.511.000,00)

312.511.000,00

2014

16.055.019.000,00

2.662.843.000,00

9.913.000,00

2015

17.138.728.000,00

1.462.587,00

(2.121.238,000,00)

Fonte: http://www.correios.com.br/sobre-correios/a-empresa/publicacoes/demonstracoes-financeiras

Dentro desta imaginação, que solicitou que as demonstrações econômico-financeiras fossem auditadas, bem como tenham recebido nos anos base 2012, 2013 e 2014 pareceres com ressalva.

Que esta empresa a qual você participa, detém algum tipo de participação, mesmo que não tenha o poder de voto, tenha  como possíveis barreiras, a título de encontrar irregularidades, pessoas, pessoas estas responsáveis por apurar dados, consolidar dados, analisar dados, uma delas  obrigatória por exigência do Conselho Federal de Contabilidade, ou seja, a figura do contador, como se não bastasse a exigência deste órgão, corrobora tal exigência, pelo que determina as lei das S/A e o Código Civil Brasileiro.

Uma vez constante em suas demonstrações valores expressivos, tenha a obrigatoriedade de publicar as suas demonstrações, sem prejuízo de podermos observar outras regras que tornaria mandatória tal disclosure.

Ainda dentro desta imaginação, que a empresa, além do contador, tivesse um chief  financial office – cfo, como se não bastasse, contador e cfo submetidos ao departamento de controladoria, tudo isto sob a coordenação de um chief executive office -ceo, que cumpre as diretrizes do conselho de administração.

O que faria você analisando este breve histórico, com os dados apresentados na tabela acima, como se não fosse suficiente nos depararmos com um prejuízo de 2 bilhões de reais no ano base de 2015, e em meados do ano base de 2017, ou seja em 15/07/2017 não temos noticia do resultado apurado pela empresa que você participa referente ao ano base de 2016.

Agora pegue todas estas informações e acrescente, que você não participa sozinho, que esta empresa é uma empresa pública, que explora uma atividade entendida como monopólio estatal, que além de um contador, de um cfo, ceo, conselho de administração, auditoria externa, ainda se submete ao crivo da Controladoria Geral da União e para  bater o martelo, nada mais, nada menos que o Tribunal de Contas da União – TCU.

Mas agora, você não participa sozinha desta empresa pública, você e mais 203  milhões de pessoas são titulares desta empresa, e embora aparentemente não tenham direito a voto nas decisões desta empresa, na qualidade de cidadão, contribuinte, qualquer coisa  que aconteça positivamente ou negativamente afetará o  seu bolso, e a reflexão que se quer fazer aqui é simplória, se não  admitiríamos que a empresa que participássemos acima descrita “privada” pudesse  apurar um prejuízo de 2 bilhoes de reais, e estivéssemos as escuras em relação as informações do ano base de 2016, porque na qualidade cidadão, contribuinte teríamos que  admitir tal situação para uma empresa pública? Uma vez que ela deve observar no mínimo um princípio constitucional, o da eficiência, e que eficiência tem uma empresa que tem um prejuízo do montante acima?

Por derradeiro, o único propósito deste artigo é chamar a atenção de você cidadão, contribuinte, que é “sócio” desta empresa pública ora em comento,  irá deixar esta empresa continuar produzindo prejuízos? A a quem interessa uma empresa, mesmo que filantrópica fosse não apurar superávit, para no mínimo atender as suas necessidades, a quem interessa, suportar tal prejuízo, se ela ainda não gerou um sério problema ao sabermos deste resultado em 2015 ou em 2016, a continuar nesta rota,  entrará em colisão por óbvio, e não precisa ser matemático, contador, estatístico ou algo parecido, basta ser alguém que pense, e que não pense no seu umbigo, pense pela coletividade, pense que enquanto é possível fazer algo, que se faça, que não se espere ser surpreendido pela mídia, por não “estar por dentro” da vida corporativa da empresa CORREIOS, que o governo terá que aportar capital na empresa brasileiro de correios e telégrafos, e este capital virá de onde? E porque  o governo terá que aportar este capital? E em qual rubrica do orçamento está previsto que o governo tem dinheiro para fazer este aporte, para socorrer uma empresa por MERA incompetência de gestão, mas não só mera incompetência de gestão, por  não tão MERA Omissão da sociedade, omissão do Conselho de Administração da Companhia, omissão do Tribunal de Contas da União, enfim omissão de um corpo complexo que não pensa o balanço, no caso em tela o Balanço da Empresa Brasileira de Correios e Telegráfos – EBCT.

Se este artigo talvez  possa  lhe deixar pensativo , passe a inferir que a EBCT foi objeto de uma CPI e que no relatório de auditoria  não há qualquer menção acerca deste tema, para inferir de forma um pouco mais completa, que o Fundo de Pensão Postalis é objeto de uma CPI intitulada CPI fundo de  pensões, sendo que a Postalis tem relação direta com os correios, pois estamos a tratar de um fundo que guarda relação com a pensão dos funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e as últimas demonstrações contábeis da Postalis são surreais, a palavra mais adequada que eu posso usar neste momento.

Para realmente concluir, pensar o balanço, poderá evitar dissabores que não gostaríamos de ter.